CAIPIRINHA DO LEME.



Caipirinha de leme Ao contrário do apelido dado por Assis Chateaubriand, a esfuziante Yolanda Penteado revela-se uma mulher à frente do seu tempo em biografia de Antonio Bivar e na minissérie global Um só coração Luiza Villaméa Yolanda Penteado (1903-1983) era uma mulher fabulosa. Seus contemporâneos jamais questionaram. Belíssima, aos 16 anos já arrasava corações, […]


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Caipirinha de leme

Ao contrário do apelido dado por Assis Chateaubriand, a esfuziante Yolanda Penteado revela-se uma mulher à frente do seu tempo em biografia de Antonio Bivar e na minissérie global Um só coração

Luiza Villaméa

Yolanda Penteado (1903-1983) era uma mulher fabulosa. Seus contemporâneos jamais questionaram. Belíssima, aos 16 anos já arrasava corações, dispensando casamento com admiradores da estirpe do inventor Santos Dumont e da importância do jornalista Assis Chateaubriand. Inovadora, Yolanda também brilhou ao administrar com eficiência e dinamismo a Fazenda Empyreo, em Leme, interior paulista, onde nasceu. Dona de vasta cultura, usou seu talento e trânsito no cenário internacional para ajudar a montar a Bienal de Artes de São Paulo. Estas e outras facetas daquela que no momento é personagem da minissérie global Um só coração estão esmiuçadas de forma cativante na biografiaYolanda (A Girafa, 430 págs., R$ 53), do escritor e dramaturgo Antonio Bivar. O livro tem como principal fonte a autobiografia Tudo em cor-de-rosa, que Yolanda publicou em 1976, pela editora Nova Fronteira. Entre outras pérolas, o livro conta com introdução de Sérgio Buarque de Holanda e prefácio de Gilberto Freyre, dois ícones da elite intelectual brasileira. Sobrinha da biografada, Maria Antonieta do Prado Cintra, a Antonietinha, 80 anos, já começou a ler a nova obra. E confessa estar preferindo a versão de Bivar. “É mais divertida”, afirma.
A experiência de ver a família e a si própria no livro e na minissérie – seu nascimento foi ao ar recentemente – anda mexendo com as lembranças de Antonietinha. “Quando começo a ficar emocionada demais, tomo meio Lexotan”, confidencia, referindo-se ao medicamento ansiolítico. “Meu médico disse que não faz mal.” Os trabalhos sobre a tia famosa puseram em foco sua antiga caixa de fotografias, alvo da curiosidade de netos e bisnetos. Todos querem conferir a árvore genealógica da família, na qual outra mecenas ocupou lugar de destaque – Olívia Guedes Penteado, casada com um tio de Yolanda, Inácio Penteado. Uma das mais versadas no emaranhado familiar é a atriz Gabriela Hess, 28 anos, sobrinha-bisneta de Yolanda. “Na minissérie faço o papel da mãe da Antonietinha, que na verdade é minha tia-avó.”
Em Um só coração, a trama que inclui personagens e episódios ficcionais é traçada pela trajetória da personagem vivida por Ana Paula Arosio. O roteiro de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira começa nos anos 1920 e vai até meados da década de 1950. “Yolanda é fascinante. E fica mais fascinante à medida que a conhecemos”, comenta Maria Adelaide. Quando propôs o argumento à direção da Globo, a dramaturga lembra que não tinha essa dimensão. “A intuição me ajudou”, diz. Famosa pela competência com que trata temas históricos, ela foi uma das pessoas que mais incentivaram Bivar a escrever a biografia. No prefácio, ele conta que já havia enchido meio caderno escrito à mão – mais tarde passado para o computador – quando soube que a amiga preparava um roteiro televisivo sobre a personagem. “Agora vão pensar que só estou escrevendo o livro por causa da minissérie!”, amargurou-se. No mesmo dia, porém, Maria Adelaide o convenceu a seguir em frente com o projeto sobre a Caipirinha de Leme, apelido dado a Yolanda por Chateaubriand.
FONTE:ISTO É INDEPENDENTE

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